Afinal, o Director Desportivo da Astana - que é assim uma espécie do Zé Augusto da LA-Alumínios-Cicloturismo - esclareceu que a transfusão não terá sido homóloga (de um dador compatível), mas antes uma auto-transfusão, pois foram detectados eritrócitos "actuais" e outros "mais antigos", mas do mesmo indivíduo. No caso, ambos do meu herói Vinokourov. Para lá da particularidade de imaginar uns eritrócitos "mais antigos" de bigode, barrigudos e com varizes nas pernas - pois só assim se perceberá que são glóbulos velhotes de ciclistas-, volto a afirmar que este tipo de melhoramento do rendimento físico não me incomoda. Se treinamos os músculos, também poderemos treinar as células do corpo, do nosso corpo, sem intervenção artificial de químicos, para que em certos momentos o nosso corpo, incluindo os glóbulos vermelhos que o integram, estejam em condições de produzir mais potência. Não percebo a diferença entre as células das fibras musculares que se podem obrigar a reproduzir por força do treino em subida e os eritrócitos cuja reprodução seja estimulada por força do treino em altitude. O raciocínio proibicionista - no exacto contexto em que o estou a tratar- em última análise conduz à proibição do treino físico. Mas isso são outras especulações de filosofia velocipédica que, como sabemos, se move a pedal.
Ontem, Rasmussen foi-se embora do Tour. A tese oficial é que mentiu à Equipa, pois esteve a treinar o último mês em Itália e não no México, conforme informara. A explicação não me convence. Em especulação, seria de conceber que a Equipa tem conhecimento de um qualquer método batoteiro, de tal modo inovador que ainda não é do conhecimento público. A Equipa não pode contemporizar com a prática, mas também não pode revelar o que sabe. Aconteceu o mesmo com a EPO. Só vários anos depois de estar a ser utilizada é que as Autoridades médico-desportivas souberam dela.
Contador fica assim com a porta aberta para o título. Mas um ex-treinador da Festina declarou à Euronews que Rasmussen no Aubisque bateu o record de Virenque em mais de minuto e meio. E como tinha sido ele, ex-treinador da Festina, a dopar o Virenque na época do record, concluía que Rasmussen só poderia ter chegado minuto e meio mais cedo por estar, obviamente para ele, dopado. Mas Leipheimer e Contador também bateram o record de Virenque não por minuto e meio, mas por um minuto. Desse modo, o mesmo raciocínio levaria a concluir que...
Enfim, dopings à parte, vou levar comigo uma caixa de barritas energéticas da Isostar, de 20 gr. com as quais consigo acabar as subidas quando estou mesmo à rasca. A dextrose tem efeito rápido e quando esgoto os açucares ao fim de 4 ou 5 horas de exercício não posso estar uma hora à espera que a sandes de paio faça efeito para acabar os 20 Km que me faltam. E, assim, 20 gramitas de material energético chegam para dar o incentivo adequado.
Como dizia Joaquim Agostinho, outro herói destes dramas, "isto não vai lá só com bifes"...