quarta-feira, janeiro 29, 2014

MARRETA, O GUEVARA COM CORNOS


"Marreta" nasceu anonimamente de parto natural de uma vaca honesta e asseada que só não era completamente séria porque não se lembrava qual tinha sido o boi da cobrição. "Marreta" tinha o destino desde logo marcado. Só era alimentado pelo seu dono e patrão na justa medida em que deveria deitar corpo suficiente para servir de carne para canhão. A sua existencia só se justificava para dar lucro ao bandalho do capitalista que se preparava para o entregar ao matadouro, abichando sem pudor ou remorso umas notas do Banco Central Europeu, esse vértice do tenebroso triângulo troikiano, inventado só para conduzir os Povos  e as Manadas  à pobreza e ao retrocesso civilizacional.
"Marreta", jovem macho vigoroso,  com os túbaros muito no sítio, estava assim predestinado a encher os bolsos aos capitalistas com o seu sangue, a sua carne, a sua pele e os seus cornos.  Porém, num assomo desesperado de consciencia de classe, "Marreta" quebrou as grilhetas da opressão que o acorrentavam ao seu  triste destino, rebentou com a porta à marrada e fugiu. Ah, como era fresca a aragem da liberdade.

Durante dias, as forças da opressão fascista, onde se evidenciava a Guarda Nacional Republicana a cavalo, lançaram uma operação de caça ao boi, por vilas e aldeias, serras e vales, com a intenção de o capturar, podendo, até, abatê-lo a tiros de mauser em caso de resistência.
Denunciado por grupelhos maoistas, ressabiados por terem sido expulsos do comité central da manada, acabou por ser capturado para gáudio das forças fascistas e capitalistas que em directo nas televisões  o mostravam soçobrado e humilhado como exemplo acabado do destino que esperava qualquer outro boi ou bezerro  que pensasse  desafiar  a  sociedade  burguesa de consumo.
As forças fascistas preparavam-se,então, para um julgamento rápido e sumária condenação à morte. Porém, a sociedade civil, encabeçada pelos vegetarianos-caviar, moveu intensas pressões internacionais que conduziram ao indulto  do heróico resistente.
Marreta foi, assim, condenado a prisão perpétua, a cumprir numa  Colónia Prisional em regime aberto.
Mas "Marreta" ainda não acabara.  Escassas duas semanas após, encetou nova fuga, tendo passado à clandestinidade.
 Dizem alguns que "Marreta" está na Ucrania a apoiar a revolução em curso. Dizem outros que se refugiou em Cuba, onde ajuda os Manos Castro a salvaguardar a pureza original da revolução. Dizem ainda outros que "Marreta" deu em rabeta e, agora com um nome falso, passou a organizar e promover iniciativas no ambito do loby gay.
A única certeza que temos é que "Marreta" já é uma lenda.  

2 Comments:

Blogger Lura do Grilo said...

Eh, Eh ..., está iluminado o oxiclista.

O bicho gosta de liberdade.

21:59  
Anonymous Anónimo said...

Oxiclista "writer" no melhor do seu inspirado estilo literário.

16:42  

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