
Mais uma aventura. A minha estreia mundial na utilização da frese. Aprendi a montar o cardan na tomada de força, percebi que a frese tem três velocidades e dois pontos mortos na rotação das facas, descobri o manípulo que canaliza a força do motor para as rodas, só para a tomada de força, ou para ambos. Consegui afinar a profundidade das facas através de uma roda-parafuso. Percebi que com o hidráulico em baixo o manípulo da força do motor não engrena. Enfim, descobri uma quantidade de coisas novas. Fresar é uma actividade vagarosa, a dar tempo à máquica. A primeira passagem faz-se na velocidade mais baixa da rotação das facas para desfazer as leivas. A segunda passagem faz-se com a velocidade dois para amiudar o terreno. No canteiro onde vou ensaiar o estufim, apliquei 200 litros de guano e fiz uma passagem na velocidade três. O terreno ficou tão macio e solto que o pé enterra. O que naquela terra forte e argilosa é um bom resultado. Tenho terreno a mais para as minhas disponibilidades de tempo. Por isso vou parar com o amanho e dedicar-me ao plantio no que já está amanhado. Está na altura de fazer o alfobre do cebolo na estufa e transplantar o jardim que germinou no meu gabinete. As parcelas que não vou lavrar este ano vão ficar de pousio para a rotação do próximo ano. A aveia que já está a crescer - resultado da ceara anterior - vai ser ceifada antes de formar semente e aproveitada a matéria orgância para o silo de compostagem. Estou preocupado com as raízes da aveia. A cinco centímetros de profundidade o terreno está repleto de raízes de aveia, entrecruzadas como se fosse uma rede. Espero que a frese mate aquilo tudo, ou fico com o terreno incapacitado. Um dos canteiros já está parcialmente semeado com tremocilha. Para aproveitar na compostagem e para reforçar o terreno em azoto. O engraçado é que esta aventura agrícola me está a abrigar a planear e a pensar em várias coisas ao mesmo tempo. Com muita antecedência. A caminho da terceira idade é uma óptima ginástica cerebral.